A importância de conhecer a árvore genealógica para poder curar sua vida (estudo de caso)

Na matéria do mês passado falamos da importância de conhecer a árvore genealógica para poder curar nossa  vida. Dando continuidade: A repetição de reações emocionais, atitudes e eventos é a indicação mais clara e frequente de que existe um luto não finalizado ou pendente. Freud afirmou que a repetição é um modo de lembrança que ocupa o lugar na memória.

Os pais depositam em seus filhos vários aspectos, atitudes e valores de si mesmos. Eles também são designados muitas vezes inconscientemente. Esses mandatos podem representar uma pesada carga emocional para as crianças que, desde a concepção, se identificam com os comportamentos e emoções de seus pais, buscando sua integração e reconhecimento como membros do clã. Essa atitude das crianças é a premissa básica da “teoria da imitação social” desenvolvida nos anos sessenta do século XX pelo psicólogo canadense Albert Bandura (1925). Segundo Bandura, a imitação social dos modelos observados, principalmente nos pais, é transcendental no processo de socialização das crianças. Inconscientemente, o ser humano tem uma necessidade biológica prioritária de conservação e sobrevivência, assim como a necessidade de transmissão genética e cultural para seus descendentes. É o inconsciente familiar.

Desde o momento da concepção, recebe ideais, identificando referências, valores, crenças, mitos, ritos, ideologias, representações e mecanismos de defesa. Cada um carrega em seu inconsciente individual a marca do clã; memórias e informações de pais e antepassados. A transmissão transgeracional ocorre porque no inconsciente há formações de outro ou de outros com os quais há uma identificação.

Vou deixar um caso de uma cliente (preservando sua identidade) para exemplificar o que estamos falando:

Uma mulher de 35 anos que tentou engravidar por dois anos sem sucesso. Apresenta um quadro médico com dispnéia e asma desde a infância. Além disso, entre as idades de 21 e 29 anos a menstruação acabou.

No desenvolvimento do estudo de sua árvore genealógica, ela conta como sua mãe ficou grávida aos 21 anos fruto de um encontro casual com um jovem que mal conhecia; tão pouco tinha uma relação de namoro. Pertencente a famílias tradicionais de uma área rural, ambos foram forçados por seus respectivos pais a se casar para evitar vergonha e desonra.

Essa gravidez imprevista impediu a jovem de concluir seu curso de farmácia universitária. Como esperado, o relacionamento não funcionou bem desde o início. Alguns meses depois, ela deu à luz uma menina; mas o jovem marido continuava a sair à noite com os amigos, enquanto a esposa ficava em casa cuidando da filha. Mesmo assim, nos anos seguintes eles tiveram mais quatro filhas. E aos 29 anos, aquela mulher já era mãe de cinco meninas, nenhuma delas foram planejadas.

A mais nova das filhas é a minha  cliente. A atmosfera que ela lembra da família desde a infância é de contínuas discussões, rivalidade entre seus pais e suspeita por parte da mãe de muitas infidelidades por parte do mentiroso pai. Além do abuso psicológico e verbal que todas as filhas tinha testemunhado desde a infância, ela conta como sua mãe nunca escondeu  para ela e suas irmãs suas frustrações como esposa, lembrando a elas mil vezes que ser mulher significava “vir ao mundo para sofrer.”

Ao fazer a terapia com o método de Biodescodificação  os sintomas que ela  vivenciou como falta de ar e asma desde a infância precisamente está relacionado com o ambiente familiar tóxica em que ela cresceu; as potenciais situações de ameaça, disputas, brigas e lutas.

A minha cliente perde o sua menstruação entre 21 e 29 anos, coincidindo com a fase em que sua mãe engravidou, aprofunda cada vez mais suas frustrações e  amargura e falta de apoio do marido. O que se manifesta na filha é uma síndrome clara do aniversário, onde as datas coincidem. Chegando aos 21 anos e até 29, seu inconsciente ativou em sua memória a partir da experiência materna de rejeição a  sua feminilidade, porque, segundo ela tinha sido gravado através do testemunho insistente da mãe, que a maternidade supõe frustração, sofrimento e amargura. Foi com essa lembrança que a filha estava sendo inconscientemente fiel. Por esta razão, quando ela completa 29 anos, a mesma idade em que a mãe se libertou de seu papel procriador, sua menstruação apareceu novamente.

A filha foi capaz de ver como, na verdade, ela estava lutando, inconscientemente, contra seus próprios bloqueios. Conscientemente ela queria ser mãe; mas inconscientemente ele estava impedindo sua própria satisfação materna pelas memórias e crenças que incorporara ao longo de sua infância e juventude. Quando ela ficou ciente de tudo o que havia expressado sua biologia por tantos anos, ela não apenas alcançou um entendimento que antes lhe faltava, mas também se libertou das memórias de sua juventude e, pela primeira vez em sua vida, sua menstruação regularizada em periodicidade e quantidade.

A um mês atrás na sua última consulta ela conta que está com 2 meses de gravidez.

Por: Magda Lizbir Gomes
Facilitadora de grupos de mulheres que sofrem violência doméstica e dependência emocional.
email: magda0333@gmail.com
Tel.: 07447608050

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