Violência doméstica e tráfico humano

Até maio de 2018 esses assuntos na minha realidade se tratavam de casos de polícia e hospital, que na minha análise superficial seriam doenças que eram identificadas, tratadas e resolvidas pelos órgãos competentes. Mas em Maio, eu tive uma exposição ao assunto que me fez refletir mais sobre tal, e me conscientizar que mesmo se tratando de um assunto que é cuidado nos hospitais e na polícia, esses casos apresentam uma característica única. De acordo com dados apresentados durante a I conferência de atendimento consular, realizado pelo MRE (Ministério das Relações Exteriores) e a ONU (Organização das  Nações Unidas) em Novembro de 2018, 95% dos casos de violência doméstica acontecem com pessoas conhecidas, em lugares conhecidos e 85% desses não são denunciados, o que torna muitos de nós testemunhas e cúmplices dessa situação.

Além disso, muitas vezes esses casos são registrados de forma incorreta e não entram para a estatística, por exemplo: uma pessoa que é atendida no hospital com o nariz quebrado deve ser registrada como caso de traumatismo, porém, pode ser que o nariz quebrado foi resultado de um ato de violência doméstica.
No caso de violência doméstica, nota se que esse crime hoje em dia, tem uma definição muito abrangente que engloba, violência emocional, intelectual, financeira, imigratória e social, ou seja, não estamos mais falando somente em agressão física de pessoas, pois vai além; também não estamos falando somente sobre parceiros, maridos e namorados, e sim de filhos, cuidadores e de qualquer pessoa envolvida nessas situações. Em especial, quando moramos no exterior, os expatriados se tornam mais vulneráveis a passar por essas situações.

Portanto trago esse assunto aqui exatamente por esse motivo. Note também que já foi provado, que esse tipo de violência não ocorre somente nas famílias de baixa renda, mas também nas famílias de classe média e alta.

É importante que as pessoas saibam que elas podem contribuir para mudar esse quadro, e o primeiro passo para a redução desses casos é informar e compartilhar fatos, dados e recursos para que as pessoas estejam conscientes dessas situações e possam saber onde buscar ajuda. A humanidade está cada vez mais egoísta, egocêntrica e até por um lado positivo mais reservada, fechada. Sendo assim esse novo comportamento colabora para a ação dos criminosos ou para as vítimas, que se retraem e se fecham cada vez mais. Estamos criando um ambiente perfeito para a disseminação desse tipo de violência.

Muitas vezes, a única salvação dessas vítimas é a observação afinada de uma pessoa estranha. Uma aeromoça nos Estados Unidos conseguiu salvar uma passageira de tráfico humano da indústria do sexo, somente porque ela avaliou como suspeita, as roupas que a passageira e o homem que estava com ela vestiam, e o comportamento dela olhar para ele até para definir se aceitaria um copo de água. Nesse caso, o homem foi preso em flagrante na chegada ao destino, onde a polícia já o aguardava devido a denúncia da aeromoça.
Infelizmente dentro do nosso olhar brasileiro, fechamos o ano com a prisão e denúncias de abuso e violência que se iniciaram em um número não impressionante de 5 pessoas, e agora já passaram de 600.

O médium brasileiro “João de Deus” comete ou cometia assédios há 40 anos. Um fato assustador, pois quantas vítimas realmente passaram por ele? Eu acredito que para que possamos alcançar grandes lutas, temos que começar por pequenos passos. Quantas vezes pensamos que uma malcriação é simplesmente um mal humor do outro, que uma depressão não é somente um frescura ou achamos que o parceiro de alguém é grosso? Atrás desses pequenos sinais, podem haver vítimas de abuso e violência doméstica. Em Dezembro, conheci uma sobrevivente de violência doméstica e ela me disse que a empresa dela era dentro da sua casa, porém, nem os funcionários dela percebiam a violência que ela passava todos os dias e que durou 13 anos.

Quanta vezes nós julgamos ou nos protegemos atrás da armadura de que o problema não é nosso. Eu rezo para que cada um de nós possa sim cuidar de si, seguir seu caminho de acordo com seus propósitos e os planos de Deus, mas que nunca o seu caminho seja tão seu e tão fechado, que você não possa ver uma flor que cai ao seu lado, sem poder aprecia-la ou cata-la.

Você já perguntou como está sua esposa hoje? Você já telefonou para seu irmão? Você já fez aquela visita para a comadre adoentada? Muitas vezes vemos as pessoas, conversamos com elas, mas esquecemos de perguntar como elas estão, se estão precisando de alguma coisa, se estão passando por alguma dificuldade. Inclua essa tarefa no seu dia a dia.

Em Brasília, nos dias: 19 e 20 de fevereiro de 2019 o MPU (Ministério Público da União) estará organizando outra conferência sobre violência doméstica e tráfico internacional. Em Nova York acontecerá outra conferência nos dias: 11 e 22 de março de 2019. O Conselho de Cidadania do Reino Unido tem um chá das mulheres mensalmente pela manhã. O grupo das mulheres do Brasil tem reuniões sobre o tema em Londres e outros 10 países como também na maioria das capitais do Brasil. A Shekinah tem reuniões semanais de orientação e oração.

Entre em contato se você quiser mais informações sobre esse tema.

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