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Não é apenas sobre direita ou esquerda
Suas posições políticas não são só opiniões. Elas dizem muito sobre seus valores, sua empatia e a forma como você enxerga outras pessoas. Revelam o que você escolhe ver e o que prefere ignorar. Mostram as dores que você herdou, os preconceitos que nunca questionou e o tamanho do mundo que você acha que os outros merecem ocupar.
Na prática, política aparece no cotidiano. Está em como você reage quando alguém perde o emprego, quando uma minoria pede respeito, ou quando um trabalhador reivindica direitos básicos. Não é apenas sobre “direita” ou “esquerda” como rótulos, mas sobre quem você protege por instinto e quem você aceita deixar de lado em silêncio.
A direita, de modo geral, costuma defender valores como a meritocracia rígida, a ideia de que “quem quer consegue”, mesmo em contextos profundamente desiguais. Defende também o Estado mínimo, o que na prática reduz investimentos em saúde, educação e assistência, afetando principalmente a classe trabalhadora e as minorias. Outro ponto recorrente é a criminalização da pobreza, retratando grupos marginalizados como “baderneiros” ou ameaças à ordem, em vez de pessoas lidando com exclusão histórica.
Já a esquerda parte de outra lógica. Defende que oportunidades não são iguais e que o Estado tem papel fundamental em equilibrar o jogo. Valoriza políticas públicas que incluam todos, como saúde e educação acessíveis, proteção ao trabalhador e direitos sociais. Também reconhece e dá voz a grupos historicamente excluídos, tais como mulheres, negros, e pessoas LGBTQIA+, entendendo que igualdade real exige olhar para as diferenças.
Há ainda quem use a política como ferramenta de poder moral, inclusive em certos discursos religiosos, explorando medos e vulnerabilidades para manter controle, em vez de promover cuidado e solidariedade genuínos. Isso não é fé, é estratégia.
E tem um ponto que quase ninguém admite: sua posição política mostra os limites da sua imaginação muito antes de mostrar os limites da sua inteligência. Mostra o quanto você está disposto a entender o outro, ou o quanto prefere que o mundo continue confortável só para você.
por GILSON GUIMARAES
Coord. da ONG Fraternidade Sem Fronteiras UK e ex coord. do Conselho de Cidadania do Reino Unido
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