Leve seu coração para Moçambique

Desde que as caravanas do Fraternidade Sem Fronteiras, esta organização humanitária que atua nas regiões mais pobres do planeta, chegaram em terras africanas em 2010, muito trabalho já foi feito, mas tem muito ainda a ser realizado. O turismo humanitário, com vem sendo chamado, onde as pessoas tiram férias dos  seus afazeres para ajudar ao próximo já transformaram a vida de mais de 15 mil crianças. As caravanas duram em media de 10 a 15 dias e os prés requisitos para participar são, ter mais de 18 anos, ser padrinho do projeto, ter boa vontade e muito amor no coração.

Foi assim que a Denise Ferret desembarcou em Muzumuia, em Outubro de 2016. Ela participou de uma caravana coordenada pelo fundador do FSF Wagner Moura. Sempre quis fazer um trabalho voluntário disse ela e quando conheceu o Fraternidade não teve duvidas. Tinha o sonho de cozinhar com as africanas e o realizou quando ajudou a preparar 1.200 refeições. “Cozinhamos a céu aberto, eram tachos de ferros imensos, com o fogo de lenha, num calor de 40 graus”. Ela conta com uma certa emoção que o povo africano é muito alegre, e de uma força e fé surpreendentes. Vivendo na realidade que eles vivem, com tão pouco, mas com tanto para dar e tanto para agradecer. Tudo eles agradecem, com danças, sorrisos,  abraços. E com abundância, então o que eles têm eles dividem.

Silvia Silva já fez a viagem duas vezes, participou de uma das caravanas da saúde em 2016 coordenada pelo médico Andrei Moreira e numa outra ocasião com a caravana dos educadores coordenados pelo professor Welleson dos Santos, autor do livro Ubuntu.

“Me lembro de ter perguntado ao Wagner Moura o que mais precisavam lá, ele sorriu e não me respondeu. Depois entendi, era até falta de caridade perguntar o que estava faltando, porque quando cheguei vi que realmente faltava tudo.”

Quando fui pela segunda vez, levei comigo a professora da minha filha, a Lydia Loxton que é inglesa. Nesta ocasião eu fiz muito mais, fui tocada muito mais porque fiquei em contato com as crianças. Eu era assessora da Lydia, ajudando com as traduções, e a gente acaba no final falando a língua do amor, porque eles falam um dialeto, e as crianças normalmente aprendem o português mais tarde. Eu vi muita coisa bonita acontecendo, o trabalho das pedagogas da caravana orientando as monitoras para dar continuidade ao trabalho. Eu percebi que este projeto realmente entrou em mim e e ele faz parte de mim agora. Eu não quero que ele saia, quero dar continuidade, que seja nesta sementinha aqui e ali. Vale a pena nos convidarmos mais caravaneiros, mais pessoas para ir ate lá. Por que só lá a gente vai entender a grandeza deste trabalho e sentir de coração o que e fazer parte do Fraternidade Sem Fronteiras.

Filipe Mendonça também divide um pouco da sua recente passagem por Moçambique,  “Nossa chegada a Muzumuia, um dos 30 centros de acolhimento e também principal abrigo dos caravaneiros, foi de muita emoção, pois fomos presenteados com muita música, dança, todas cheias de amor e carinho. Abrir o centro de acolhimento de Hoyo Hoyo foi particularmente emocionante; ver que o Fraternidade Sem Fronteiras do Reino Unido, do qual eu faço parte, conseguiu, com muito trabalho e dedicação, durante todos esses anos, ajudar a finalizar as obras necessárias, para abertura deste centro. Filipe termina emocionado dizendo “O que eles não sabem é que nós, padrinhos e caravaneiros, aprendemos muito mais com eles, do que eles com a gente, através de gestos sem qualquer sentimento de egoísmo ou orgulho.

Voltei para casa com meu coração em Moçambique, pois ainda há muito trabalho a fazer, mas, mais que nunca, muita alegria em poder contribuir para o crescimento de crianças que nos cativaram com sua pureza e simplicidade de viver, e sem reclamar…

Francis Bomba também compartilha sua experiência na Africa. Ela que conheceu o FSF há pouco mais de um ano, diz que achou o projeto muito bacana e  que na primeira oportunidade que teve  partiu para Moçambique. Fez parte da caravana da saúde, mesmo não a sendo da área, fez o trabalho de assistente. “Para mim foi uma experiência muito além do que eu imaginava que seria” nos conta Francis. Foram dias de bastante trabalho, mas que você nem sente que esta fazendo, porque é tão gratificante, é tão maravilhoso e você vê que aquelas crianças ficam tão felizes que a gente esta lá dando atenção para elas, os olhos delas brilham.

“O projeto todo foi muito mais do que eu imaginava que seria. No começo imaginava que 10 dias seria bastante tempo, mas eu sinto que não foi suficiente. Eu sinto que quero voltar e fazer ainda mais, eu quero ajudar a fazer com que este projeto cresça ainda mais, que a gente consiga divulgar em países diferentes, que a gente consiga fazer com que as pessoas se conscientizem que realmente e um projeto que faz a diferença na vida de muita gente e o que a gente esta fazendo lá na verdade e só um pouquinho, comparado com o tamanho da necessidade”.  “Precisamos de mais doações, de mais padrinhos porque sem voluntários o projeto não acontece, para que todos eles possam ser ajudados com carinho e com o tratamento que merecem” finaliza Francis. 

Por: Katia Fernandes
Jornalista voluntária FSF.

www.fraternitywithoutborders.co.uk,
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