Entrevista com a homeopata – Alcione Figueiredo da Silveira

Como explicar a homeopatia? Consultamos uma homeopata para desfazer, de uma vez por todas, as meias verdades que cercam essa especialidade médica. Porque as pessoas ainda têm tanto receio em iniciar um tratamento com remédios homeopáticos? As dúvidas resistem ao tempo, embora a busca pela homeopatia tenha se intensificado. 

Quem explica é Alcione Figueiredo da Silveira, uma brasileira de São Paulo, formada em Medicina Homeopática,  que mora em Londres desde 2004. Membra da Society of Homeopaths de Londres e da Homeopathic Medical Association – UK, Bacharel em Homeopatia BSc(Hons) pela University of West London – UK.

Por que escolheu trabalhar com homeopatia?

A homeopatia surgiu em minha vida através de uma inspiração, quando em busca de um objetivo existencial. Desde criança sempre fui atraída pela medicina, mas acabei optando por informática e me formei em Técnico em Processamento de Dados, logo apos cursei pela PUC-MG Sistema de Informação, não chegando a finalizá-lo devido a minha vinda a Londres. Ao ler e aprofundar sobre a filosofia da homeopatia me apaixonei e dei me conta de haver finalmente encontrado o que realmente procurava. Desde então, tenho me dedicado intensamente ao estudo e prática da Homeopatia.

Como funcionam as consultas?

As consultas homeopáticas são bem diferentes das consultas tradicionais. Resumindo, representam uma profunda viagem ao mundo dos pacientes, físico e mental/emocional. Trata-se de uma profunda investigação, que visa encontrar as raízes da enfermidade, seja ela mental ou física. A primeira consulta dura em torno de duas horas onde é necessário uma visão geral do paciente e os retornos duram em torno de uma hora, onde é feita uma avaliação sobre a resposta aos medicamentos e o estado geral do paciente, bem como uma análise sobre o direcionamento do tratamento.       

Que tipo de doenças a homeopatia trata?

A homeopatia não trata apenas as consequências, que seriam as doenças e seus sintomas, ela remonta as causas, que são as verdadeiras raízes da problemática humana. Por esta razão, costuma-se dizer que a homeopatia não trata doenças e sim os doentes como um todo,sendo assim qualquer doença.

De que materiais são feitos os remédios homeopáticos? São menos agressivos que os tradicionais? Existem bulas homeopáticas?

Os remédios homeopáticos são feitos de elementos do reino mineral, vegetal, animal e hominal (sarcodes e nosodes). Por serem altamente diluídos e dinamizados, não possuem traços físicos dos elementos originais e eis aqui uma das razões de grandes controvérsias sobre a validade da Medicina Homeopática.  Mas o processo não trata-se apenas de diluições, inclui também as dinamizações, o que ativa o princípio terapêutico do elemento diluído. Devido a este processo, os remédios homeopáticos, se forem prescritos levando em conta a potencialidade da força vital do paciente não são agressivos e agem de forma quase imperceptível, promovendo saúde, equilíbrio e bem estar. Por outro lado, se não forem devidamente escolhidos (remédios/potencias) podem causar o que chamamos de agravamento homeopático, e causar mal estar, e até mesmo piora do quadro clínico do paciente. Não existem bulas homeopáticas e sim matéria médica, que são livros onde os efeitos de cada remédio são estudados minunciosamente, através dos testes/experimentos, feitos em seres humanos adultos, saudáveis.      

Ela funciona melhor em crianças do que adultos?

Crianças tendem a responder melhor a qualquer tipo de tratamento comparando-se aos adultos, devido a vários fatores, dentre eles a facilidade de assimilação. No entanto, de acordo com a minha experiência com crianças, o que realmente diferencia a resposta ao tratamento, está diretamente relacionado a influência dos pais.

Por que alguns homeopatas optam por prescrever um único medicamento, ao passo que outros preferem prescrever vários ao mesmo tempo?

Este fato ocorre devido ao treinamento que cada homeopata obteve, e também no que alguns consideram como a modernização e evolução dos principios homeopáticos. Hoje em dia, principalmente no Brasil, é muito comum observar o que considero como a “Alopatização” da homeopatia, onde os remédios homeopáticos são utilizados de forma paliativa e não curadora. Os chamados remédios complexos, ou a prescrição de vários diferentes ao mesmo tempo, não são parte da filosofia clássica da homeopatia, ensinada por Hahnemann.

Quanto a alimentação, é necessário mudar o hábito alimentar para fazer um tratamento homeopático?

Não necessariamente. No entanto, existem algumas substâncias consideradas como antídotas dos remédios homeopáticos como por exemplo, café, vinho, menta etc… Embora algumas pesquisas tenham sido feitas, não tenho conhecimento de nenhuma que tenha provado a hipótese acima e particularmente não acredito que nenhuma substância ou elemento possa agir como antídoto dos remédios homeopáticos, mesmo sendo afirmados por alguns autores clássicos como Boenninghausen, Kent e mesmo Hahnemann. O que sustenta a minha hipótese é o fato de que os remédios Homeopáticos são a nível energético e não físico, sendo assim, nenhuma substância física pode interferir na sua ação.

Por que escolheu Londres?

De todas as perguntas esta é a mais difícil (risos…) não sei bem por que vim para Londres, mas acredito que cada um é conduzido pela vida para onde tem de estar, por alguma razão.

Quem são seus pacientes? Ingleses ou brasileiros?

Atendo pacientes de diversas nacionalidades, da Itália, Bulgária, Etiópia, África, Tailândia, Inglaterra mas a grande maioria, cerca de 70% são brasileiros.  

Deixe uma dica ou sugestão para os nossos leitores.

 A minha dica aos queridos leitores é a de que ultrapassem as barreiras do preconceito e da desinformação e sempre busquem formas alternativas/complementares, naturais e menos agressivas para o tratamento de suas dores, para que possam ser mais felizes e saudáveis. Caso queiram mais informações de como se beneficiarem com a homeopatia,  entrem em contato comigo. Será um prazer poder auxiliá-los.

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