Descubra se você é gestor ou educador dos seus filhos

 Descubra se você é gestor ou educador dos seus filhos

 Ter um filho é, para a maioria das pessoas, um ato de fé. Representa a fé num futuro melhor, não só para nós, mas para o mundo. Mas, a menos que a gente melhore a compreensão e o tratamento dispensado ao bebê por nascer e à criança pequena, essa fé não vai frutificar porque podemos transmitir cegamente a nossos filhos a criação neurótica e traumática que talvez tenhamos tido. Uma chave para ser boa mãe e bom pai é a flexibilidade.

Aqueles que conseguem se adaptar às necessidades e demandas de seu bebê serão acolhedores e receptivos. Aqueles que não conseguem mudar a vida para se acomodarem à criança que esperam que o bebê se adapte a eles, ao contrário talvez sejam rígidos demais e tenham um envolvimento pequeno demais para criar bem os filhos.

A tarefa é mais difícil que nunca hoje em dia, dada a necessidade frequente de ambos os pais trabalharem fora. Nesse caso, como pais e mães que trabalhamos fora, delegamos responsabilidades inclusive a de cuidar de nossos filhos e da nossa casa.

Para manter a vida nos conformes, para dar conta do malabarismo com todos os seus elementos, tendemos a nos tornar profissionais em nossa vida particular tanto quanto no nosso trabalho. É durante a gravidez que os pais e as mães tanto as que trabalham fora quanto as que ficam em casa têm de criar um equilíbrio em sua vida.

Recomendo a ambos os pais que estudem seus compromissos e tracem um plano para aumentar seu tempo longe do trabalho remunerado para poderem passar mais tempo em casa com o bebê. Conheço um casal de executivos de alto nível que comprou um apartamento em Green Park com duas alas uma para os super astros papai e mamãe e outra para o novo bebê morar com a babá. Esses pais teriam garantido um êxito futuro maior para seu filho se tivessem dividido a sua ala com ele. Assim, durante aquelas horas em que estariam em casa, teriam vivido o aspecto “mão na massa” de serem pais com atos simples como trocar uma fralda, dar comida e cantar uma música de ninar.

Essas coisas teriam dado a seu bebê um senso de identidade melhor e mais segurança, um sentimento mais forte de amor e uma probabilidade maior de absorver as faculdades cognitivas e a ética personificadas nos próprios pais. E os pais teriam tido a oportunidade de conhecer realmente o filho.

Quando você trabalha fora e fica muitas horas por dia longe de casa, existe a tentação de delegar suas responsabilidades até mesmo naquelas horas em que você está em casa. Hoje em dia, a vida é febril e complexa. Temos família, carreira, prestações da casa própria e relações afetivas pelas quais zelamos. Nas horas em que estamos em casa, as tarefas são intermináveis: cozinhar, lavar roupa, fazer compras, participar das reuniões de pais e mestres. É impossível para os pais que trabalham as 64 horas semanais exigidas por profissões dinâmicas assumirem uma criação consciente dos seus filhos.

Meu conselho é: não tenha um filho na mesma época em que aceita uma promoção no trabalho. Se a sua empresa oferece horas de trabalho flexíveis, aproveite essa opção durante alguns anos. Se você tem a alternativa de contratar alguém para limpar a casa ou cuidar de seu bebê, contrate a pessoa para limpar a casa enquanto você cuida do bebê. Se for possível um dos pais ou, melhor ainda, ambos os pais regrediram durante alguns anos abrindo mão de uma parte da renda para cuidar do bebê isso seria o ideal. Ao contrário das ideias promovidas pela cultura popular, não é possível ter tudo.

A maioria de nós não dispõe de riqueza suficiente para simplesmente largar o emprego e se tornar mães e pais que ficam em casa, o que seria o ideal dos ideais, ao menos do ponto de vista da criança. Mas, na nossa cabeça, todos podemos fazer a viagem que nos leva da função de gestores para a de educadores, e todos podemos aprender a mudar nosso modo de vida para abrir espaço, em nossa vida agitada, para nossos preciosos filhos se desenvolverem perto de nós.

Para facilitar sua transição de gestores para educadores, são sugeridos os seguintes princípios (DAVIS-FLOYD, 1994): • Os educadores adaptam-se aos seus bebês. Os gestores esperam que seus bebês se adaptem a eles.

Enquanto estão grávidas, as mães educadoras veem-se participando ativamente do crescimento do bebê. As gestoras, por outro lado, vêem o bebê como uma entidade separada, um corpo estranho crescendo dentro do seu.

Mães e pais educadores acreditam na realidade da comunicação e da parceria ativa com o bebê por nascer. Mães e pais gestores veem o crescimento e nascimento do filho como um processo mecânico com o qual não têm envolvimento algum.

A verdade é que os protótipos dos “educadores” e “gestores” são estereótipos extremos, as duas extremidades continuam. Enquanto pais, a maioria de nós cai em algum lugar entre elas. Nosso objetivo, nos meses que precedem o nascimento, é encontrar o equilíbrio entre sermos fiéis a nós mesmos e realizar nossos sonhos pessoais de um lado, e do outro, garantir que nossos filhos recebam dos pais os cuidados indispensáveis que eles bem merecem.

 

Por: Magda Lizbir

Terapeuta Holística

Facilitadora de Círculo de Mães

Fonte: o Bebê do amanhã: Um novo paradigma