AS MAGNÓLIAS LONDRINAS

 AS MAGNÓLIAS LONDRINAS

“A primavera sem magnólias teria sido sem gosto, como um sorriso sem lágrimas”. (Virginia Woolf)

Ao caminhar por Londres, em qualquer estação, há sempre o que contemplar. Deve ser por isso que Virginia Woolf sempre preferiu se movimentar nessa linda cidade a pé. Virginia descreveu sobre essas majestosas flores, assim como o grande poeta John Keats, que viveu em Hampstead, onde elas se exalam na primavera. Sylvia Plath, poeta americana que viveu em Primrose Hill, Londres, fez um lindo poema sobre essas flores. Com certeza, num dos parques mais altos da capital inglesa, a vista delas, lá de cima, é de tirar o fôlego.
Londres é linda em todas as estações. Na primavera, as magnólias são, de fato, um charme à parte. É como se na efervescência cinzenta da megalópole, um espetáculo de cores e fragrâncias surgisse, uma espécie de suspiro e alívio entre os prédios de concreto e o asfalto. As magnólias soltam suas pétalas delicadas, como postais de um tempo mais sereno, enchendo os bairros de Notting Hill e Chelsea (entre outros), e os parques londrinos, com uma beleza singular.
É como se as magnólias, com suas flores exuberantes e perfumadas, fossem personagens de um romance de Virginia Woolf, dançando nas páginas de “Postais de Londres”, como ela descreveu: “A primavera sem magnólias teria sido sem gosto, como um sorriso sem lágrimas”. Essas árvores, com seus galhos torcidos e flores rosadas ou brancas, trazem uma sensação de renovação à cidade, como se as ruas agitadas se desaceleraram para apreciar sua beleza passageira.
Em Notting Hill, as magnólias emolduram as ruas estreitas com sua elegância discreta, contrastando com as fachadas coloridas das casas vitorianas.

Nos jardins de Chelsea, seus botões desabrocham timidamente, como páginas de um livro prestes a serem lidas, enquanto os pedestres passam apressados pelas calçadas. E nos parques londrinos, como o Hyde Park ou o Kensington Gardens, as magnólias emprestam uma aura romântica e serena, como se convidasse os visitantes a uma pausa contemplativa em meio à agitação da cidade.
Assim como Virginia Woolf escreveu em seu romance Mrs. Dalloway: “As magnólias brotavam nas salas de estar, e os pássaros começavam a cantar nos jardins”, essas árvores simbolizam a passagem do tempo e a promessa de um novo começo.
Elas nos lembram que, mesmo nas grandes cidades, a natureza encontra uma maneira de florescer, trazendo consigo uma sensação de paz e esperança.
Sylvia Plath, em seus poemas, comparou as flores a “copos de leite rosados”. As magnólias são retratadas por ela como seres misteriosos e poderosos, capazes de
influenciar o ambiente ao seu redor e transmitir emoções sutis. O poema sugere que elas são uma espécie de cálice de vida, enquanto John Keats as descreveu como “as rainhas do jardim”. Aproveito para sugerir uma visita à casa onde Keats viveu em Hampstead. Tem um belo jardim e hoje é um museu.

Essas citações ecoam a reverência que as magnólias inspiram, sua capacidade de transformar até mesmo o cenário mais urbano em um oásis de beleza natural.
Em meio ao caos da cidade, as magnólias solitárias se destacam, como guardiãs silenciosas de um tempo mais suave e tranquilo. Elas nos lembram de que, mesmo nas grandes metrópoles, sempre haverá espaço para a beleza e a contemplação. E, como Virginia Woolf disse, “no meio do inverno, finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível”. As magnólias são a expressão desse verão invencível, trazendo cor e calor à Londres cinzenta do inverno. Elas transitam entre o
cinza do inverno e o sol do verão. Que charme!
Assim como as magnólias desabrocham em toda a sua glória na primavera, convido você, leitor, a florescer também. Encontre sua própria beleza interior, permita-se crescer e se abrir para o mundo ao seu redor. Assim como as magnólias, você também pode trazer cor e perfume para sua própria vida e para aqueles ao seu redor.
Deixe-se inspirar pela beleza das pequenas coisas e encontre alegria na jornada do florescimento.

Que, assim como as magnólias, você possa ser uma presença radiante e inspiradora no jardim da vida.

 

Poema de Sylvia Plath:

Magnólias

As magnólias, com uma boca de cortiça vermelha Murmuram juntos e suspiram;

De véspera, inebriadas de seus próprios odores,

Alcance e alimente a terra.
Eles podem desfolhar um lírio no ar,

Pode soprar uma nuvem no mar,

Podem revolver árvores como sons de abelhas;
Podem erguer vento como um fogo;
Onde quer que saiam é frio,

Nada é danificado, nada é verdadeiro;

Sua música como o grito de um pássaro Faz o ar frio.
Que música então é a desse suspiro De pétalas cansadas?

Qual é o sangue deles?

Um coração de árvore curva-se na onda,

Eles estão suspensos no ar, vestidos em branco.

Vindo de longe, de fora da noite,

Do barco negro da solidão,

O vento lança-me em terra

Com uma queda de pétalas.
Eu fui arrastado por um rosto nu,

As massas de raízes, as narinas, as mandíbulas.

Eles são minha família violenta, as raízes meu passado obscuro.

Eles sangram em silêncio, não se mexem.
Eu estou preso para sempre na fábrica de escuridão.

Eu ligo a luz de uma luz azul.

A brisa toca minha face fria,

Adeus, adeus, adeus.

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