Arte que alimenta a Alma

Desde que o projeto Fraternidade Sem Fronteiras desembarcou em solo africano em 2010, milhares de pessoas passaram a ser atendidas por ele. Através do apadrinhamento, hoje são mais de 12 mil crianças acolhidas. Quase 500 jovens continuando a vida escolar, mais de 160 idosos amparados, cerca de 270 trabalhadores locais diretos, enfim o amor fraterno se dividindo em múltiplas vertentes. Além das 253 mil refeições servidas mensalmente, dos 26 Centros de Acolhimento, além da água que sai dos 10 poços artesianos que foram construídos, o projeto contribui também com atividades que ajudam a alimentar a alma destas pessoas, através da valorização da cultura local e de difundir diferentes formas de arte.

A felicidade do povo africano é tamanha que contagia!

Todos os 240 voluntários que já participaram das caravanas, são unânimes em afirmar que esta  alegria vai além do que eles mesmos (voluntários) podem doar. A recepção de cada caravana com as danças e músicas típicas da região encanta quem ali chega. O caravaneiro  é surpreendido pelas vozes das mulheres e jovens que cantam canções que expressam a alegria, o louvor e a gratidão, embalando os sonhos e a esperança de milhares de pessoas.  Destas vozes nasceu o CD Canto pela Paz, a gravação foi realizada durante visita aos projetos da FSF, nas aldeias de Moçambique, em Novembro de 2016, pelo DJ Alok, DJ Bhaskar e toda sua equipe.Quando a cultura deles e o amor e dedicação dos nossos artistas voluntários se encontram acontece o inevitável,   a combinação perfeita para que a arte fraterna aconteça.

Foi assim que a artista plástica e arte-educadora Valéria Pinheiro a Gustavo Nenão, artista brasileiro reconhecido internacionalmente pelo seu grafite  deixaram as suas marcas quando participaram da caravana de maio de 2017. O trabalho deles era fazer uma oficina de artes para as crianças e jovens, além de algumas pinturas na sede do projeto em Muzumuia. A missão foi muito além disto… A partir daí os dois artistas se apaixonaram pelo projeto.

Valéria afirma, que conheceu o FSF através da redes sociais, e conta que no decorrer de sua trajetória, o processo de criação artística sempre esteve voltado às mazelas humanas.

A arte trouxe para minha vida possibilidades, conhecimento, oportunidades, transformação, humanização, um olhar diferente para com o outro, e por conhecer todos esses benefícios, acredito que ela possa contribuir para o desenvolvimento das crianças e jovens em qualquer lugar no planeta, pois a arte não tem fronteiras.

Ela conta que quando voltou para o Brasil desenvolveu um projeto para trabalhar com os jovens, que foi logo aprovado por Wagner Moura, coordenador do FSF. 

Hoje Valéria coordena o projeto Arte Sem Fronteiras, que tem a intenção de agregar valores educativos, sociais e econômicos, trabalhando a capacidade cognitiva, além da ética, estética, auto-estima, visibilidade, sensibilidade e promover a busca de conhecimentos e o exercício da cidadania. São 30 jovens que fazem parte do trabalho,iniciaram primeiramente com o batik, técnica local de pintura em tecido, e depois com a cerâmica, em Muzumuia, onde foi construído um forno para realização da queima. Em outubro estará de volta a Matuba para a construção de um outro forno e começar a fazer cerâmica por lá também, além de trabalhar na pesquisa que esta desenvolvendo, para entender de que forma essas vivências com a arte podem contribuir para o desenvolvimento de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Recentemente a artista lançou as canecas da Série Kanimanbo, inspiradas na áfrica com logo Fraternidade sem Fronteiras com verbas totalmente revertidas para este trabalho.

Nenão conta que a experiência é muito enriquecedora principalmente porque segundo ele, estamos em constante aprendizado. “Fizemos aulas com argila, pinturas em tela e de desenho, a idéia é multiplicar e valorizar os outros tipos de arte que eles já produzem, como musica e dança e trabalhar a auto estima deles. Em poucos dias já se podia notar uma diferença muito grande no comportamento e na projeção que eles faziam deles mesmo quanto ao futuro”, complementa ele que deixou sua arte registrada no  Centro de Acolhimento em Muzumuia.

O artista não parou por ai, ele que hoje mora em Londres, continua muito envolvido com o projeto. Em março ele fez duas obras que foram especialmente produzidas para serem leiloadas em dois  eventos realizados na capital britânica.Uma delas concluída ao vivo durante a exposição de fotografias do Fraternidade Sem Fronteiras já foi leiloada, a outra, também finalizada durante um catwalk em Notting Hill, ainda está disponível e pode ser vista e adquirida em nosso website.

A arte pela fotografia também retrata o amor e a dedicação do voluntariado do FSF , a exposição realizada na Embaixada Brasileira em Londres foi um grande sucesso.  Os fotógrafos Alisson Demétrio, Felipe Torres, Fernanda Calixto, Gustavo Arrais e Deborah Maxx retrataram com a alma cenas do cotidiano em terras africanas.

Venha você também fazer parte deste projeto que potencializa a arte de amar. Entre em contato, nós do Fraternity Without Borders, braço britânico do Fraternidade Sem Fronteiras, estamos te esperando: www.fraternitywithoutbordres.co.uk

Vídeos produzidos por Alok em Moçambique:

https://www.youtube.com/watch?v=_x-061ufGuU

https://www.youtube.com/watch?v=jRbaxPd05eI

https://www.youtube.com/watch?v=D2OiWGaF-nA 

Veja algumas fotos:

As fotos estão fazendo história e tocando os corações por onde passam, em vários locais no Brasil e em Nova York.  Algumas das imagens podem ser vistas no:
www.gustavoarrais.com

Por: Katia Fernandes
Jornalista voluntária do Fraternidade sem Fronteiras.

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