Bem me quer ou Mal me quer?

Alguns elementos são necessários para construir um relacionamento saudável. O importante é reconhecer e afastar um comportamento doentio. Bem me quer ou mal me quer? Ela começa camuflando meninices escondendo cada gesto que possa remeter a uma aproximação mais profunda. Depois, passados alguns anos. A evolução permitir um olho no olho confidente, respeito mútuo e muita dedicação. Por fim, seus cabelos grisalhos encontram o mesmo travesseiro sem pudor ou malícia apenas amor e nada mais. Esta é a tradicional descrição da relação a dois, certo? Porém, a vida, por mais bela e harmoniosa que seja, passar longe de um conto de fadas. O início e o fim de um relacionamento podem, sim, ser dignos de roteiro de cinema, entretanto, episódios difíceis aparecem no dia a dia de cada relação. A jovem Amanda de 25 anos acaba de comprar seu primeiro apartamento em conjunto com o namorado Juliano 27. Juntos há sete anos, ela confessa que, embora os momentos bons prevaleçam, foi preciso muito diálogo para alcançar a empatia de hoje. As vezes eu me lembro de todos esses anos juntos e penso ufa? Nós brigamos, terminamos, dialogamos muito para nos adaptarmos um ao outro. Hoje percebo que muitas pessoas não estão dispostas a esse desgaste e por isso não evoluem em nenhum relacionamento. Em sintonia, ambos com um cordão de paciência e respeito são ingredientes fundamentais para o relacionamento em que hoje estão, e completamente afinados, no ritmo certo.

Amor patológico.

Aparar as arestas, embora fundamental, nem sempre é simples. A situação se complica quando um dos lados apresenta o chamado amor patológico, incapacidade de se relacionar de maneira saudável. Especialistas apontam que o amor doentio é cada vez mais frequente nos últimos tempos. A codependência, a depressão afetiva e o ciúmes exagerado, são sintomas da doença que pode chegar a agressões físicas e verbais. Para a psicóloga e psicoterapeuta coordenadora da Neuro Fox do Rio de Janeiro, o amor patológico sempre esteve presente na sociedade. Quanto a sua frequência, não existe ainda um estudo epidemiológico consistente, mas sim uma estimativa de que atinge quase 1% da população em geral, sendo que, mais que a metade é mulher. A especialista reconhece a dificuldade de se adaptar ao outro, mas aconselha nunca perder o respeito e a dignidade. Esses dois elementos podem servir de bússola para não se envolver em em atitudes patológicas. Ela destaca ainda que controle, desconfiança e desrespeito são os principais erros cometidos em uma relação.

Na literatura.

Desde que o homem escreve notícia reais ou ficcionais baseadas em amores que a chamamos hoje de patológicos. Mania, para os gregos, é o nome desse amor altamente instável e um tipo de amor estereótipo de amor romântico ou apaixonado. Já na China, para expressar esse tipo de amor, usa-se a palavra Zaolian. Podemos citar Shivar e Pararti, deuses hindus, a história de Nefertiti, e outras que datam mais de 33 séculos atrás. Tristão e Isolda, Romeu e Julieta enfim, todos tiveram destino trágico, não apenas para o casal, mas também para um terceiro que viveu obcecado por esse amor, perdendo sua vida. Muitos são os exemplos de pessoas que descrevem esse amor como maior que a própria vida, que a morte, que os deuses. Para nós, as pessoas sempre tenderão a essa doença. A obsessão por alguém é de longa data, hoje é que percebemos que há um exagero nessa história. Talvez por ser muito próximo dos sintomas de abstinência de drogas psicoativas é que se percebe o quanto é patológico, porque nada pode ser maior que a vida explica a psicóloga. Sintomas do amor doentio. Angústia intensa quando o parceiro está distante (física ou emocionalmente). Insônia, taquicardia, tensão muscular, alternando períodos de letargia e intensa atividade são comuns quando o paciente se sente abandonado. Direcionar muito tempo para controlar as atividades do parceiro. Nesse caso, a maior parte da energia e do tempo é gasto com atitudes e pensamentos para manter o outro sob controle. Outra situação comum é abandonar atividades que antes eram valorizadas e passar viver em função dos interesses do companheiro.

Avalie seu amor.

Responda às perguntas com sim ou não e saiba como é definida a sua forma de amar:

  1. Você sente vontade de estar perto dele o tempo todo?
  2. Já abandonou pessoas e atividades para privilegiar a relação com essa pessoa especial?
  3. Na ausência do companheiro(a), sente insônia, taquicardia ou tensão muscular alternando com períodos de desânimo? O/a seu namorado(a) se queixa de que você é muito(a) pegajoso(a)?

Caso responda sim três ou quatro vezes, busque tratamento adequado com psicológico ou procure um grupo especializado de ajuda.

Compartilhe: