May pede à UE acordo do Brexit que possa defender perante britânicos

A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta quinta-feira (19) aos seus parceiros da União Europeia um acordo de separação do bloco que possa defender perante seus concidadãos, em um contexto de negociações do Brexit paralisadas.

“Devemos trabalhar juntos para chegar a um resultado que possamos apoiar e defender ante os cidadãos”, declarou a primeira-ministra, durante jantar de trabalho ao final do primeiro dia de uma cúpula europeia que reúne os 28 líderes da UE.

Segundo um alto funcionário britânico, May insistiu na importância de se alcançar um acordo que “o povo britânico considere o melhor para os interesses do Reino Unido”.

“E igualmente do lado europeu”, acrescentou.

Os líderes europeus têm previsto se reunir sem ela na sexta-feira no segundo e último dia da cúpula para fazer um balanço das negociações iniciadas há quatro meses.

Londres pressiona para iniciar já as discussões sobre as relações futuras com o bloco, mas os europeus se recusam a passar à segunda fase sem resolver, antes, “as prioridades do divórcio”: a conta a ser paga por Londres por sua saída, a situação dos direitos dos cidadãos após o Brexit e a questão da Irlanda do Norte.

Apesar de o objetivo ser autorizar essa segunda fase nesta cúpula, sem a britânica, as lideranças europeias preferiram adiar essa decisão para dezembro, mas, em sinal de boa vontade, autorizaram “discussões preliminares internas” entre os 27 sobre a futura relação, segundo um rascunho de declaração do encontro.

“Não há progressos o bastante para começar” a discutir um eventual acordo de livre-comércio e um período de transição de dois anos após a saída definitiva do Reino Unido, no fim de março de 2019, alertou a influente chanceler alemã, Angela Merkel.

Mas “não vejo nenhum sinal de que não conseguiremos”, afirmou. “Quero um acordo claro e não uma solução imprevisível”.

Para preparar o terreno, a primeira-ministra britânica prometeu, na véspera, no Facebook, procedimentos “simplificados” para os 3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido. “Queremos que as pessoas fiquem e queremos que as famílias se mantenham unidas”, completou.

– UE cerra fileiras com Madri –

Embora o Brexit seja a maior crise política em seis décadas de projeto europeu, a cúpula acontece em meio à tensão na Espanha, cujo governo tenta frear a independência da região da Catalunha.

Na manhã desta quinta-feira, o governo espanhol anunciou que tomará medidas para intervir no governo da Catalunha e um conselho de ministros extraordinário foi convocado para o sábado (21).

O chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, preferiu evitar a questão, entrando nesta quinta-feira na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, e saindo de lá depois da meia-noite, sem dar declarações à imprensa.

Outros líderes se pronunciaram sobre o desafio separatista e cerraram fileiras com o líder espanhol. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a cúpula serviria para enviar uma “mensagem de unidade” com a Espanha.

A chanceler alemã, Angela Merkel, Merkel desejou uma “solução (…) baseada na Constituição”, enquanto o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, descartou qualquer intervenção da União Europeia na crise catalã, uma questão interna, segundo as instituições europeias.

A voz dissonante entre os líderes foi a do primeiro-ministro belga, Charles Michel, que em uma linguagem muito mais forte, pediu uma desescalada na Espanha e pediu o diálogo.

– Acordos comerciais sobre a mesa –

Além do Brexit, os chefes de Estado europeus abordaram nesta quinta-feira sua política diplomática, com discussões dedicadas ao acordo nuclear com o Irã, ameaçado pela posição dos Estados Unidos, assim como a Coreia do Norte e as relações com a Turquia.

A pedido do presidente francês, os líderes tinham previsto discutir durante o jantar a política comercial dos 28 membros do bloco, em um contexto de preocupação em Paris pelo impacto acumulado dos acordos comerciais, como o negociado atualmente com os países do Mercosul no setor agrícola.

Para o chefe de Estado francês, uma “Europa que protege é (…) uma Europa que sabe encontrar os bons acordos de livre comércio, as boas negociações para proteger seus trabalhadores e consumidores”.

Alguns países consideram, no entanto, a visão comercial da França demasiadamente protecionista.

“Não gosto do enfoque de que devemos frear as negociações de livre comércio”, disse à AFP, antes da cúpula, o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, para quem “o comércio é bom para a Europa”.

Por: ANSA Brasil

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